Brasil manda doações para a fronteira com a Venezuela sob clima de tensão e incerteza – Congresso em Foco

Estão a caminho de Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, dois caminhões que transportam a primeira remessa de ajuda humanitária brasileira ao país vizinho. Os veículos, com placas e motoristas venezuelanos, partiram esta manhã da capital de Roraima, Boa Vista, e são escoltados pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Exército. Cerca de 220 km separam as duas cidades. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, está na região.

A fronteira entre os dois países segue fechada desde a noite de quinta-feira (21) por determinação do presidente Nicolás Maduro, que rejeita as doações sob a alegação de que a ajuda é uma interferência externa indevida na política da Venezuela. Colômbia e Estados Unidos também enfrentam dificuldades para transportar alimentos, remédios e outros produtos de primeira necessidade.

As doações foram solicitadas pelo autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, líder da oposição e da Assembleia Nacional da Venezuela. Guaidó e Maduro travam uma disputa pelo comando do país.

Ontem o presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião de última hora com vários de seus ministros para discutir que medidas tomar diante do clima de tensão na região.  O governo brasileiro decidiu manter o envio dos produtos, mas descartou entrar em confronto com o país vizinho. Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, a ação do Brasil é “humanitária”, e “não política”.  O Brasil tem 200 toneladas de alimentos para enviar aos venezuelanos.

>> Envio de ajuda humanitária à Venezuela aumenta chance de confronto na fronteira, dizem senadores

O senador por Roraima Telmário Mota (Pros) criticou ontem, em entrevista ao Congresso em Foco, a insistência das autoridades brasileiras em levar a ajuda à Venezuela. Para ele, essa disposição só aumenta a chance de conflito armado na fronteira entre os dois países. “Pode haver um confronto direto e a população de Roraima é que vai estar na mira”, afirmou o senador.

“Se o Brasil quer fazer uma ajuda humanitária, que faça a partir da ONU [Organização das Nações Unidas]. De repente o Brasil vai ser escudo de uma guerra que só interessa aos Estados Unidos. É um ato de irresponsabilidade nesse momento. O Brasil está interferindo na política externa da Venezuela e fazendo uma escolha partidária”, defendeu Telmário.

Mortos e feridos

Nessa sexta, houve confrontos entre militares e manifestantes na fronteira entre os dois países. Segundo parlamentares, duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas. Pelo menos sete venezuelanos feridos tentavam cruzar a fronteira e foram conduzidos para hospitais em Boa Vista. As vítimas são indígenas.

O conflito, conforme relatos, ocorreu a 60 quilômetros da fronteira, na região Gran Sabana, onde há uma comunidade indígena da etnia Pemon, favorável à ajuda humanitária internacional. Como os indígenas tentaram desobstruir a via, impedida pelos militares venezuelanos, os confrontos começaram.

A Secretaria de Saúde de Roraima informou que os cinco feridos foram baleados e transportados em ambulâncias venezuelanas autorizadas a cruzar a fronteira. Eles estão sob observação médica no Hospital Geral de Roraima. De acordo com a secretaria, cinco pacientes tiveram de passar pelo centro cirúrgico. Os demais venezuelanos foram atendidos no setor do Grande Traumas e permanecem em observação.

>> Chanceler vai à Colômbia para apoiar ajuda humanitária à Venezuela

Com informações da Agência Brasil

Continuar lendo em Congresso em Foco.

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Portal do Magistrado.

Comentários

Confira Também

Equipe econômica teme atraso no envio de projeto da Previdência dos militares ao Congresso – Congresso em Foco

A equipe econômica do governo está temerosa de que o projeto de lei que trata …