Líder do governo na Câmara admite que base no Congresso “simplesmente não existe” – Congresso em Foco

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), garantiu ter uma estratégia de atuação, inclusive repassada pelo presidente Jair Bolsonaro, a quem se referiu em sua conta no Twitter como “01”. Mas em postagens na rede social neste sábado (20), admitiu que o governo não conta com uma base consolidada no Congresso. “As eleições foram atípicas. Não houve loteamento de ministérios, acertadamente. Disso tudo, não resultou uma base. Ela simplesmente não existe. É a realidade”.

O deputado, alvo de inúmeras críticas e até mesmo piadas internas não apenas por colegas do próprio partido, PSL, mas por demais parlamentares, disse receber orientações diretas de Bolsonaro. “Não posso falar tudo, claro, para não abrir toda a estratégia e perder a efeitividade das ações”, destacou ao se comprometer a usar mais o canal para explicar o contexto das atitudes que tem tomado.

Na última semana, o governo sofreu duas duras derrotas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ao tentar votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência.

A primeira, na segunda (15), quando não conseguiu sequer barrar a leitura da ata da reunião anterior da reunião e, sem ceder a um acordo – o que o próprio Vitor Hugo afirmou que não quis fazer -, perdeu a tarde inteira em um debate já se sabendo derrotado para ter, no fim da noite, confirmada uma inversão de pauta que resultou na aprovação da PEC do orçamento impositivo. Já na quarta (17), viu mais uma vez adiada a votação da Previdência – a previsão é que ela seja votada na terça (23).

“A responsabilidade de criação dessa base é compartilhada com vários atores”, afirmou Major Vitor Hugo ainda no Twitter, destacando a Casa Civil e a Secretaria do Governo, mas sem deixar de lado seu partido, o PSL, que mencionou como “pedra angular” nessa formação. Por fim, o líder governista pediu “confiança” e destacou parte de sua trajetória.

Mais cedo, o Congresso em Foco conversou com o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), que demonstrou chateação com as cobranças do governo em responsabilizar o PSL pela formação da base.

>> “Previdência será aprovada do jeito que o Maia quiser”, diz líder do PSL na Câmara

“Eu não sou responsável por formar base. Ai é com Onyx [Lorenzoni, ministro da Casa Civil], os líderes do governo, o presidente [Jair Bolsonaro]. Temos que colocar os pingos nos ‘is’, colocar a identidade no pai da criança. É a primeira vez, em 30 anos, que ouço que um governo não tem base. Estamos sendo responsabilizados por algo de que não temos culpa, e temos feito mais do que devemos para ajudar o governo”, desabafou o líder do PSL.

Delegado Waldir destacou a decisão do presidente da legenda, Luciano Bivar, de apoiar a reeleição do deputado Rodrigo Maia à Presidência da Câmara e conclui: “Se não tivéssemos feito isso lá atrás, seríamos mais escravos do que estamos sendo”.

Segundo ele, houve cobranças do governo pra que a legenda fechasse questão em torno da PEC da Previdência. “Assim fizemos”. Falou também das dificuldades de encontrar um deputado disposto a relatar a proposta na CCJ. “Ninguém queria. Fomos e arrumamos um deputado”. “O que mais as pessoas querem que façamos? Me dê uma base que eu ajudo o governo”, finalizou.

 

>> Líder do governo na Câmara critica presidente da CCJ por má condução dos trabalhos

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