“Previdência será aprovada do jeito que o Maia quiser”, diz líder do PSL na Câmara – Congresso em Foco

As negociações do governo com líderes do Centrão – PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade – em torno de um novo texto para a proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência têm deixado claro quem “dá as cartas” e qual será o modelo previdenciário que sairá do plenário da Câmara, após todas as fases da tramitação por lá. É a opinião do líder do PSL na Casa, partido do presidente Jair Bolsonaro, Delegado Waldir (GO). “A reforma da Previdência será aprovada do jeito que o Rodrigo Maia e o Centrão quiserem. São eles que dão as cartas agora”, avaliou o deputado na tarde deste sábado (20) ao Congresso em Foco.

Desde quarta (17), o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, conversa com líderes do Centrão para chegar a um acordo sobre o texto que deve ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – a sessão foi convocada para a próxima quarta (23), às 14h30. Até o momento, há entendimento sobre a retirada de três pontos: mudanças nas regras de pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o foro para julgamento de ações contra a União, e o que ficou conhecido como PEC da Bengala, que é forma de definir a aposentadoria compulsória de servidores públicos.

Para o líder do PSL, as concessões no texto da PEC já deveriam ter sido implementadas antes. “Ou aceitamos as alterações do centro, ou somos derrotados na CCJ. O governo demorou a perceber isso”.

Nada do que sairá da proposta no colegiado deve gerar impacto na economia esperada com a reforma, de R$ 1,1 trilhão e, conforme disse Marinho não muda a “espinha dorsal” da PEC. Na segunda, porém, haverá mais conversas. Isso porque o secretário prometeu apresentar itens de desconstitucionalização que podem ser vetados do texto ainda na comissão de Justiça. Ao todo, a PEC traz 61 deles.

>> Sem consenso, CCJ só vota reforma da previdência na semana que vem

Para a comissão especial, passo seguinte à comissão de Justiça, mais alterações já estão na lista do Centrão, como a retirada do texto das alterações sugeridas na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O centro tem cerca de 320 parlamentares e já sinalizou contra esses pontos. Eu não vou aceitar isso? O Parlamento é feito de diálogo. Se esse diálogo não avançar, o governo será derrotado, com certeza. Se não convergir com o centro, não passa a reforma”, destacou Waldir.

Ressentimentos

O relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), apresentado no dia 9 de abril na CCJ, foi pela constitucionalidade plena da PEC enviada pelo governo ao Congresso em 20 de fevereiro. Há dois meses tramitando na Casa, a proposta tem enfrentado dificuldades até mesmo entre aliados. Do Planalto, saem críticas para todos os lados. Já se responsabilizou Maia e o presidente da CCJ, Felipe Francischini. E sobra inclusive para a base do PSL.

“Eu não sou responsável por formar base. Ai é com Onyx [Lorenzoni, ministro da Casa Civil], os líderes do governo, o presidente [Jair Bolsonaro]. Temos que colocar os pingos nos ‘is’, colocar a identidade no pai da criança. É a primeira vez, em 30 anos, que ouço que um governo não tem base. Estamos sendo responsabilizados por algo de que não temos culpa, e temos feito mais do que devemos para ajudar o governo”, desabafou o líder do PSL.

Delegado Waldir destaca a decisão do presidente da legenda, Luciano Bivar, de apoiar a reeleição do deputado Rodrigo Maia à Presidência da Câmara e conclui: “Se não tivéssemos feito isso lá atrás, seríamos mais escravos do que estamos sendo”.

Segundo ele, houve cobranças do governo pra que a legenda fechasse questão em torno da PEC da Previdência. “Assim fizemos”. Falou também das dificuldades de encontrar um deputado disposto a relatar a proposta na CCJ. “Ninguém queria. Fomos e arrumamos um deputado”. “O que mais as pessoas querem que façamos? Me dê uma base que eu ajudo o governo”, finalizou.

 

>> Maia intervém e negocia pessoalmente mudanças no texto da Previdência para votar na CCJ antes do feriado

>> Líder do governo na Câmara critica presidente da CCJ por má condução dos trabalhos

Continuar lendo em Congresso em Foco.

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Portal do Magistrado.

Comentários

Confira Também

Michel Temer vira réu pela sexta vez, agora por organização criminosa e obstrução de Justiça – Congresso em Foco

O ex-presidente Michel Temer tornou-se réu mais uma vez, a sexta, agora por organização criminosa …