Caio Cesar Rocha: inteligência artificial pode ser aliada do mercado de trabalho

Na avaliação do advogado Caio Cesar Rocha, a tecnologia é aliada do mercado de trabalho, inclusive do Poder Judiciário, e não inimiga como dizem alguns. Foto: Arquivo pessoal.

Na avaliação do advogado Caio Cesar Rocha, a tecnologia é aliada do mercado de trabalho, inclusive do Poder Judiciário, e não inimiga como dizem alguns. “No mundo real, nenhum prognóstico sério aponta que robôs irão aniquilar nossa espécie nas próximas décadas. O que eles farão, segundo a maioria das previsões, é provavelmente roubar o seu emprego. E isso pode ser bom, acredite”, diz.

Como exemplo de sua teoria, o advogado cita a Amazon, que utiliza 100 mil robôs em seus centros de logística nos Estados Unidos. O resultado disso? Houve aumento na produtividade do portal, nas vendas e, consequentemente, a abertura de novos postos de trabalho. “Hoje, 125 mil pessoas trabalham nos depósitos da empresa”, destaca Caio Cesar Rocha.

Agora, lembra o advogado, “outro gigante varejista, o Walmart, investe pesadamente na automatização de suas lojas físicas e online”. Como consequência, a rede de supermercados também está contratando mais mão de obra humana. “Segundo um levantamento do Fórum Econômico Mundial, máquinas executarão mais tarefas do que pessoas até 2025”, lembra. Nesse período, destaca Caio Cesar Rocha, “a robótica criará outros 58 milhões de empregos”.

Caio Cesar Rocha – Presidente do STJD

Dentro de sua tese, Caio Cesar Rocha lembra o professor de história Yuval Noah Harari, escritor de best-sellers e guru de Bill Gates. Ele fez uma projeção no futuro, com mais máquinas, no seu recente livro “21 Lições Para O Século 21”. “Os temores de que a automação causará desemprego massivo remontam ao século XIX, e até agora nunca se materializaram”, afirma o autor na obra. “Mas há boas razões para pensar que desta vez é diferente, e que o aprendizado das máquinas será um fator real que mudará o jogo”, conclui ainda.

Os mais vulneráveis

Segundo sugere um relatório da McKinsey Global Institute, até o ano 2055 metade dos trabalhos do mundo, o equivalente a cerca de 1,1 bilhão de empregos, passará a ser automatizada. Novas profissões e ocupações surgirão.
E é exatamente por esse motivo que as pessoas com menor escolaridade, em cargos mais baixos, estarão mais vulneráveis. Na outra ponta, profissionais com maiores graus de especialidades e, vale ressaltar, inteligência emocional, devem se manter em seus cargos.

Em 2013, cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisaram os possíveis impactos da automação em 702 profissões diferentes nos Estados Unidos. Os resultados apontam que 47% delas correm risco de serem substituídas por robôs. Funcionários de telemarketing, caixas de supermercado, analistas de crédito, entre outros, estão na lista, incluindo ainda assistentes jurídicos.

“Sou advogado e isso, aliás, já está acontecendo atualmente”, diz Caio Cesar Rocha, referindo-se à ocupação de assistente jurídico. “Pequenas atividades do direito que eram conduzidas por gente, agora, são tocadas por softwares”, conta Caio Cesar Rocha. “Minha profissão continua existindo. Mas, talvez, não por muito tempo”, diz. “O historiador Harari acredita que algumas áreas da advocacia serão totalmente tomadas pelas máquinas”, afirma.

Segundo Caio Cesar Rocha, há 11 anos, o estudioso britânico Richard Susskind publicou o livro The End Of Lawyers – Rethinking The Nature Of Legal Services, em que prevê a transformação da profissão dos advogados a tal ponto em que serão desnecessários. Mas, garante, “isso pode demorar bastante”. “Experiências com inteligência artificial no direito ainda precisam ser aperfeiçoadas antes de substituírem os profissionais do Judiciário como um todo – não só os advogados, mas também juízes e promotores estão no alvo”, explica.

Há três anos, um algoritmo usado pela Justiça dos Estados Unidos causa controvérsias. O programa, chamado Compas (sigla em inglês para Correctional Offender Management Profiling for Alternative Sanctions), foi desenvolvido para avaliar o grau de periculosidade de criminosos e ajudar a definir suas sentenças. “Porém, quando analisado, descobriu-se que as penas de minorias, como negros e latinos, eram mais severas do que as dos brancos”, conta Caio Cesar Rocha. Ou seja, as injustiças e preconceitos do sistema penal do país foram levadas para dentro do algoritmo. Dessa maneira, o banco de dados enviesado levou a máquina a aprender a julgar de maneira igualmente errada.

Com base nos fatos, conclui o advogado, “a humanidade levou séculos para desenvolver sistemas legais mais justos e modelos de governo mais democráticos. Ainda assim, eles são imperfeitos e desiguais”. Agora, aponta Caio Cesar Rocha, “caberá à inteligência artificial aperfeiçoar nossas criações e conceber outras novas. Tudo isso em bem menos tempo”. Para ele, é melhor assim: ter nas máquinas poderosas aliadas. “E deixar que apenas na ficção científica elas sejam nossas arqui-inimigas”, completa.

Via: Central da Pauta.

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