Técnica de exploração de xisto não tem consenso no país — Senado Notícias

As comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) promoveram nesta quarta-feira (14) audiência pública conjunta sobre os impactos do fracking, a técnica para extração de gás de xisto capaz de acessar rochas sedimentares no subsolo. No debate, representantes da campanha Coalisão Não Fracking Brasil apresentaram dados para comprovar os danos que a técnica traz para a agricultura, a saúde humana e o meio ambiente. Já o governo citou a experiência bem sucedida de extração por fracking na Argentina.

O fracking extrai o xisto por meio de perfurações com mais de três mil metros de profundidade no solo. Difere da técnica convencional, realizada no Brasil desde a década de 1980, porque consegue acessar as rochas sedimentares no subsolo. O fundador e diretor da Coalizão Não Fracking Brasil, Juliano Bueno, apresentou às comissões dados reunidos em países que já utilizam a técnica em grande escala, como Estados Unidos e Argentina, que comprovariam o prejuízo ao meio ambiente e à população.

Entre os principais problemas citados, estão o alto consumo de água, que pode chegar a 15 milhões de litros cúbicos por poço, a contaminação de lençóis subterrâneos com substâncias de potencial cancerígeno, como formaldeído, e tremores de magnitude de até 5,7 na Escala de Magnitude de Momento (Mw). Juliano defendeu que o Brasil possua uma matriz diversificada capaz de garantir a segurança energética por décadas e não opte pela exploração de gás de xisto.

— Devemos deixar esse hidrocarboneto no chão. Quem sabe, [usá-lo] daqui a 20, 30 anos, mas até lá a tecnologia terá mudado. Nesse momento, não necessitamos disso e o que necessitamos é a garantia da qualidade da água do meio ambiente e de que a produção agrícola desse país não tenha barreiras fitossanitárias.

O diretor do Departamento de Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, João de Nora Souto, citou o caso da província argentina de Neuquén, onde houve uma reversão do déficit energético e da balança comercial após a exploração de gás natural em jazidas de baixa permeabilidade. Nora Soto afirmou que a exploração cria uma perspectiva de 500 mil novos empregos e que o Brasil precisa observar os avanços tecnológicos.

— É importante não descartar completamente recursos não convencionais do Brasil, porque essa é uma forma de desenvolvimento regional e também poderá atrair investimentos para aumentar a produção, não só de petróleo e de gás natural, nas bacias sedimentares on shore [em terra].

Ministro

A presidente da Comissão de Agricultura, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), quer ouvir o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre a questão.

— Eu vou marcar uma agenda com o ministro sobre isso. Já vou pedir todos os locais no Brasil onde tem concessão, de norte a sul, de leste a oeste. E que a gente pelo menos tenha fotos e vídeos de onde prosperou e onde conseguiram fazer essa extração em harmonia com o meio ambiente, se isso existe — disse.

O superintendente de Segurança Operacional e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Raphael Neves, disse que a agência possui um arcabouço regulatório robusto para o gerenciamento de integridade de poços, caso se opte pela exploração.

Da Rádio Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte Oficial: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/08/14/tecnica-de-exploracao-de-xisto-nao-tem-consenso-no-pais.

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Portal do Magistrado.

Comentários

Confira Também

Novo marco legal do setor elétrico pode ser votado pela CI na terça-feira — Senado Notícias

O projeto de lei que estabelece um novo marco legal para o setor elétrico (PLS …