Globo, ministros preferidos, Trump e golden shower: o que dizem os 2 mil tuítes de Bolsonaro – Congresso em Foco

A relação do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com o Twitter é frenética. Ele usou a rede social para anunciar os seus ministros, demitir funcionários e atacar opositores e instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o seu próprio partido. Os 280 caracteres da plataforma, a preferida do presidente, foram pouco para tantas polêmicas criadas e difundidas por Bolsonaro. Muitas delas digitadas por seu filho Carlos, o 02, responsável pelo sucesso das redes do pai na campanha eleitoral de 2018 e por várias das publicações controversas do presidente.

> Bolsonaro pede desculpas por vídeo que compara STF a hienas

O Congresso em Foco analisou a rede social de Bolsonaro desde que ele assumiu o cargo, em 1º de janeiro, até 31 de outubro. Nesse período, foram quase 1.996 mil tweets, o que representa uma média de 6,5 tweets a cada dia ou 1,1 tweet a cada quatro horas. A análise não levou em conta retweets.

Tarcisio é o queridinho

Entre os perfis mais mencionados pelo presidente nesses 304 dias, o ministro da Infraestrutura, Tarcisio de Freitas, ficou em primeiro lugar. Apesar de não ser um dos representantes mais conhecidos popularmente da Esplanada dos Ministérios, Tarcisio tem conseguido formular uma agenda positiva para o governo, com a concessão de rodovias, aeroportos e ferrovias.

O nome de Tarcisio apareceu em pelo menos 31 tweets, dos quais 23 em outubro. A quantidade é igual à de citações do Ministério da Infraestrutura. Na maioria dos casos, o ministro e sua pasta foram utilizados na mesma publicação, mas há posts em que um ou outro é mencionado.

O terceiro usuário mais lembrado pelo presidente no Twitter é o ex-juiz da Operação Lava Jato em Curitiba e ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Ele foi marcado 27 vezes. Ao contrário de Tarcisio, no entanto, os tweets do ministro não estão necessariamente vinculados à sua pasta, que foi mencionada apenas cinco vezes.

Moro é o ministro com maio aprovação no governo, de acordo com pesquisas de opinião pública. Na última delas, divulgada pelo Datafolha no começo de setembro, ele era considerado bom ou ótimo por 51% da população brasileira.

Com 24 menções, o Ministério da Economia ficou em quarto lugar. A pasta comandada por Paulo Guedes, que não tem Twitter, foi citada dez vezes no último mês.

Empatados com 17 menções, as contas de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, e do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, aparecem em quinto lugar.

A lista inclui ainda a conta do Exército (16), o Ministério do Desenvolvimento Regional (15), o Ministério da Educação (15) e o Ministério da Agricultura (13).

Para essa comparação, foram analisados apenas tweets com menção direta à conta dos usuários na rede social. Publicações em que aparecem o nome de uma pessoa sem vinculação a um perfil no Twitter foram desconsideradas.

Aliados internacionais no Twitter

No primeiro ano de mandato do presidente Bolsonaro, o Brasil buscou se aproximar dos Estados Unidos e de Israel. A rede social do militar da reserva demonstra isso. O presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aparecem na frente de figuras importantes do governo, quando considerado o número de vezes que foram citados. Trump e Netanyahu são os líderes mundiais com os quais Bolsonaro mais tenta demonstrar intimidade.

Com 12 e 11 menções, respectivamente, Trump e Netanyahu foram mais mencionados que os usuários de Damares Alves (8), Ernesto Araújo (8), Carlos Bolsonaro (8) e Ricardo Salles (6). Filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) foi citado em dois tweets, mas seu nome não foi marcado por Bolsonaro.

Ataques e comemorações geram engajamento

Com críticas e comemorações, o presidente Bolsonaro conseguiu os melhores resultados na rede social, quando analisado o número de curtidas. O comentário que fez sobre a reportagem da TV Globo que ligou seu nome ao assassinato da vereadora Marielle Franco, por exemplo,  gerou uma reação positiva entre os apoiadores do militar da reserva. A publicação é o tweet mais curtido desses 304 dias, com mais de 168 mil likes.

Em seguida aparece uma publicação em que o presidente se solidariza com o apresentador de TV Danilo Gentili, que foi condenado a pagar uma indenização à deputada Maria do Rosário, após ofendê-la. O tweet tem 167 mil likes.

O top 5 inclui ainda uma foto do dia em que o presidente tomou posse (158 mil), um vídeo em que Bolsonaro celebra a vitória do Brasil na Copa América (154 mil) e um tweet que ele manda “forte abraços” para os gamers (152 mil).

Tweets que provocaram respostas

Já entre os tweets com mais respostas, destaca-se uma publicação sobre a suspensão do edital da Agência Nacional de Cinema (Ancine) sobre séries com temática LGBT. A publicação foi respondida quase 60 mil vezes.

O post em que Bolsonaro chama a Globo de “canalhas” aparece em segundo lugar (53 mil respostas), seguido por um tweet em que o militar da reserva critica o presidente da França, Emmanuel Macron, (31 mil).

Nesse ranking, a quarta colocação ficou com a publicação em que o presidente se solidariza com Gentili, com 29 mil respostas. Por último aparece uma tweet que Bolsonaro cita uma sequência de publicações do assessor especial para Assuntos Internacionais, Filipe G. Martins, sobre as queimadas da floresta amazônica (24k).

Nem tudo é like

As centenas de milhares de curtidas e respostas que Bolsonaro recebe em publicações às vezes são acompanhadas de crises institucionais. Em dois casos, o presidente utilizou o Twitter para insuflar embates com líderes de outros países, entre eles Macron, da França, e Alberto Fernández, o recém-eleito presidente da Argentina.

Além de atritos internacionais, as publicações do militar da reserva também provocaram problemas domésticos. No começo do ano, no carnaval, ele postou um vídeo em que um homem urina em outro. A gravação provocou a reação da oposição e de parlamentares, à época, próximos do governo, como o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que considerou a publicação “incompatível com a postura de um presidente”. “O que é golden show?”, questionou a conta do presidente.

Já em outubro, um vídeo em que o presidente chama opositores de hienas, entre eles o STF e o próprio partido, também provocou reações negativas em Brasília. O presidente depois reconheceu o “erro” e se desculpou pelo post. Nos dois últimos casos, ele apagou as publicações. Uma suspeita une os dois episódios: a de que foi Carlos Bolsonaro, que tem a senha de acesso à conta, quem fez as publicações.

Gestão integrada

Com grande interesse por redes sociais, Carlos Bolsonaro comandou a campanha do pai na internet em 2018. Após a eleição, a aproximação com o assunto continuou, e o 02 permaneceu com as senhas do pai no Twitter.

Essa gerência dupla do perfil causou confusão na rede social e na política brasileira em alguns momentos no decorrer do ano. Em abril, por exemplo, a revista Época noticiou que Carlos estava vetando o acesso do pai à rede social, após uma discussão entre os dois.

Seis meses depois, em outubro, o vereador do Rio de Janeiro fez uma crítica ao STF sobre prisão em segunda instância no Twitter do pai, apagou o tweet e pediu desculpas pela publicação. “Eu escrevi o tweet sobre segunda instância sem autorização do Presidente. Me desculpem a todos!”, disse.

Em outros momentos, Carlos confundiu as contas, publicou mensagens na conta do seu pai, apagou-as, e as publicou novamente em seu perfil.

Joinha e bandeira do Brasil

Entre os emojis favoritos do presidente estão a mão em forma de “joinha” amarela, com 310 menções, seguida pela bandeira do Brasil, que foi citada 240 vezes. As mãos que simbolizam um negócio fechado foi usada 23 vezes. Já a mão em forma de pistola, comum entre apoiadores do presidente, foi utilizada 20 vezes.

> Deputadas do PSL brigam pelo Twitter e expõem divisão no partido

> General Heleno manda FHC calar a boca no Twitter

Continuar lendo em Congresso em Foco.

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Portal do Magistrado.

Comentários

Confira Também

Alexandre Padilha defende apoio do PT a aliados em 2020 – Congresso em Foco

O médico Alexandre Padilha encarnou o papel de ministro das Relações Institucionais no governo Lula, …