‘Não falem mais em afastamento social’, afirma Pazuello no Congresso — Senado Notícias

Se as eleições municipais de novembro em que houve grande contato entre as pessoas não causou aumento expressivo nas contaminações e mortes por covid-19, não há motivo para estabelecer novas medidas de distanciamento social. Esse raciocínio foi oferecido pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, na reunião da comissão mista que acompanha as ações do governo federal no enfrentamento à pandemia de covid-19.

— Se o processo eleitoral nas cidades, com todas as aglomerações e eventos, não causa nenhum tipo de aumento da contaminação, então não falem mais em afastamento social. Algum reflexo tem que ter tido. Se o vírus se propaga por aglomeração e contato pessoal e tivemos a maior campanha democrática que pode haver, que é a municipal, nos últimos dois meses… Se isso não trouxe nenhum tipo de aumento da contaminação, não podemos falar mais em lockdownÉ claro que há uma mudança de fluxo, de linha — e ela sobe. Coisas acontecem, e ela sobe. Isso é observação e conhecimento — afirmou o ministro nesta quarta-feira (2).

Testes estocados

Pazuello ainda informou que os quase 7 milhões de testes para detectar a covid-19, estocados em galpões do Ministério da Saúde (MS) em Guarulhos (SP), devem ter seus prazos de validade estendidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos próximos dias. A liberação da Anvisa é necessária, pois os testes, comprados pelo governo federal para uso emergencial, vencem no dia 21 de dezembro. Ainda assim, Pazuello afirmou que o Ministério nunca entendeu que essa seria a data-limite para uso dos testes, pois os seus componentes têm prazos de validade superiores.

— Nunca partimos da premissa de que os testes vencem em dezembro. As validades dos testes estão para 2021, 2022 e até 2023; do que compõem os testes. Foi feito um registro inicial na Anvisa e a empresa [Seegene] deu uma validade emergencial para iniciar o uso, que é bem pequena, de oito meses. Essa validade inicial será renovada, porque todos os componentes dos testes tem a validade muito mais estendida. Nós sempre soubemos disso. As discussões técnicas com a Anvisa são anteriores, não são de agora. Essa é uma coisa importante de ser colocada, isso já vem sendo tratado tanto com a empresa quanto com a Anvisa — explicou.

Ao questionar o ministro sobre o processo de revalidação dos testes, o senador Esperidião Amin (PP-SC) lamentou que, enquanto milhões de testes comprados pelo governo federal ainda não foram distribuídos, prefeituras de Santa Catarina tenham adquirido kits de testagem “por preços quatro, cinco vezes superiores ao preço médio desses testes do ministério”.

Vacina opcional

Perguntado pelos senadores, Pazuello ainda deixou claro que o governo defenderá, em julgamento a ser realizado este mês no Supremo Tribunal Federal (STF), a não-obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19. O ministro explicou que o governo vai promover uma campanha de conscientização, que já deverá gerar “uma grande procura” pela vacina.

— Nossa estratégia é a não-obrigatoriedade da vacina. Com uma grande campanha de conscientização, vamos ter uma procura muito grande. Mas aguardamos a posição do STF, que vai fazer o julgamento da obrigatoriedade. Vamos nos defender e apresentar nossas ideias, e os juízes vão definir — explicitou.

Prioridade na vacinação

Durante a reunião da comissão, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Arnaldo Medeiros, listou os grupos prioritários da futura campanha de vacinação contra a covid-19, assim que os imunizantes sejam liberados pela Anvisa e a logística para a vacinação esteja pronta. Segundo ele, os grupos prioritários estarão, preliminarmente, separados em quatro fases de vacinação maciça.  

— O primeiro grande grupo a ser vacinado serão os trabalhadores da saúde, pessoas com 80 anos ou mais, pessoas com 75 a 79 anos que vivam em abrigos de longa permanência, e a população indígena. Na fase 2, pessoas com 70 a 74 anos, 65 a 69 anos, e 60 a 64 anos. Na fase 3, as pessoas com comorbidades. E na fase 4, professores, trabalhadores de forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade — informou.

Os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Izalci Lucas (PSDB-DF) pediram que, em suas campanhas publicitárias, o Ministério da Saúde seja mais incisivo na necessidade de as pessoas se vacinarem, não só contra a covid-19, mas também em outras campanhas imunizantes. Ambos se preocupam com o discurso anti-vacinação que se disseminou pela internet e redes sociais, que têm feito a adesão popular às campanhas de vacinação cair nos últimos anos, permitindo que doenças que haviam sido erradicadas do Brasil ressurjam nos últimos anos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte Oficial: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/12/02/nao-falem-mais-em-afastamento-social-afirma-pazuello-no-congresso.

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