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Evento discute medidas para ampliar a participação feminina no Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu, nesta quinta-feira (25/9), a abertura da 4ª edição do evento Mulheres na Justiça: novos rumos da Resolução CNJ n. 255. A iniciativa, que se estende até sexta-feira (26/9), reúne especialistas para debates, painéis e oficinas voltados ao fortalecimento da Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário. 

Durante a cerimônia de abertura, a conselheira Renata Gil, supervisora do Comitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina, anunciou que o CNJ encaminhará ofício a todos os tribunais do país solicitando informações sobre vacâncias previstas para os próximos 24 meses no 2º grau de jurisdição. Também serão requisitados dados sobre o gênero dos magistrados que compõem as listas tríplices mistas nas promoções por merecimento, conforme previsto na Resolução CNJ n. 525/2023 

A medida criou a política de alternância de gênero para o preenchimento de vagas na segunda instância do Judiciário brasileiro. Renata Gil apresentou os avanços desde a implementação da resolução. Desde que entrou em vigor, 36 juízas foram promovidas por meio de listas exclusivas, conforme registrado no Portal do CNJ. 

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“Tenho feito questão de comparecer às posses das magistradas. Nosso objetivo é que as vagas do Quinto Constitucional da advocacia também observem essa diretriz. Embora não possamos impor essa regra, temos dialogado com os atores envolvidos para promover essa mudança”, afirmou a conselheira. 

A conselheira ressaltou que, embora os desafios sejam significativos, diversos tribunais já desenvolvem projetos bem-sucedidos. “Não precisamos reinventar a roda. Podemos avançar compartilhando boas práticas que já funcionam”, disse. 

A supervisora do Comitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina também destacou a ausência histórica de mulheres nas indicações para as vagas do Conselho destinadas a cidadãos e cidadãs de notável saber jurídico, escolhidos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Senado Federal. Ela informou que o CNJ mantém diálogo com os responsáveis pelas nomeações na tentativa de mudar esse cenário. Atualmente, o CNJ conta com 15 conselheiros, dos quais apenas quatro são mulheres (27%).  

Violência e transtorno mental 

Renata Gil relembrou o caso da juíza Viviane Araújo, assassinada pelo ex-marido na presença das três filhas. “Ela nunca contou o que vivia em casa. É fundamental que estejamos atentos às nossas colegas que enfrentam assédio institucional e violência doméstica”, alertou. 

Já a juíza Patrícia Maeda, da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistradas e Magistrados do Trabalho, apresentou dados preocupantes sobre a saúde das juízas do trabalho: 82,4% relataram desenvolver condições como estresse, ansiedade ou insônia após ingressarem na carreira. Além disso, 61% assumem integralmente os cuidados com os filhos e 68% afirmaram ter sofrido discriminação por serem mulheres.  

O corregedor nacional de justiça, ministro Mauro Campbell Marques, compartilhou um episódio histórico de discriminação no Judiciário: por mais de 35 anos, uma candidata aprovada em concurso para a magistratura foi impedida de assumir o cargo por ser casada com um homem divorciado. Décadas depois, em 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu seu direito e ela, que estava doente em estado avançado de câncer, tomou posse como decana no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). “Ela é um emblema do que esse país já viveu em matéria de preconceito e discriminação de gênero”, pontuou. 

Desafios 

A ministra do Superior Tribunal Militar (STM) Verônica Abdala Sterman compartilhou reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na advocacia criminal. “A presença feminina não é concessão, é conquista. Espero que nossas filhas encontrem um Judiciário onde a igualdade seja realidade”, declarou. Ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vera Lúcia Santana Araújo enfatizou a importância da representatividade inclusiva, considerando gênero e raça. 

Também participaram da abertura do evento o conselheiro Rodrigo Badaró, a deputada federal Soraya Santos (PL/RJ) e a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies. 

O evento segue na tarde desta quinta-feira e na sexta-feira (26/9), com painéis e oficinas voltadas ao desenvolvimento de instrumentos que viabilizem a implementação efetiva da Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário. 

Acesse as fotos do evento no Flickr do CNJ

 

Reveja a abertura e acompanhe o evento no canal do CNJ no YouTube

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Texto: Regina Bandeira
Edição: Thaís Cieglinski
Revisão: Caroline Zanetti
Agência CNJ de Notícias

 

Fonte Oficial: Portal CNJ

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