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Com webinário em SP e mutirão no MT, Ação Nacional de Identificação Civil avança no país

As mesas com computadores estão alinhadas, lado a lado. Em cada uma delas há uma câmera fotográfica, equipamentos de luz e um pequeno dispositivo quadrado para coleta biométrica. A cena se repete em cada uma das 41 unidades prisionais do Mato Grosso, onde está em curso um mutirão de identificação civil de pessoas privadas de liberdade. “A coleta biométrica é fundamental não apenas para o controle da população prisional, mas também para garantir que aqueles que ainda não têm documentos possam recebê-los. Isso nos permite saber exatamente quem está sob nossa custódia e garantir que ninguém saia do sistema sem sua documentação em dia”, afirma secretário-adjunto de Administração Penitenciária do estado, Jean Carlos Gonçalves. Até o momento, já foi feita a identificação de 42% da população carcerária do Mato Grosso, estimada em 13 mil pessoas. O objetivo é chegar a 100% até o fim de setembro.

Assim como no Mato Grosso, outras unidades da federação têm empenhado esforços para identificar a totalidade das pessoas atualmente em privação de liberdade no país. São Paulo, Paraíba e Ceará já identificaram 100% da população prisional. “É um trabalho que busca resgatar a cidadania, tornar a pessoa apta a voltar para a sociedade e conseguir desenvolver alguma atividade como qualquer outra pessoa e, por consequência, se reintegrar plenamente em trabalho e estudo”, aponta o secretário da Administração Penitenciária de SP, Marcello Streifinger.

Para debater os avanços e desafios dessa iniciativa, o CNJ, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, realizará nesta quinta-feira (12/9), o webinário Boas Práticas da Ação Nacional de Identificação Civil e Emissão de Documentos para Pessoas Privadas de Liberdade. O evento reunirá representantes do Executivo e do Judiciário para compartilhar estratégias bem-sucedidas sobre a adaptação das rotinas de trabalho para implementação de fluxo contínuo de Identificação Civil.

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“Estamos falando de pessoas que, em sua maioria, mesmo antes do cárcere viviam num contexto de vulnerabilidade extrema e falta de oportunidades. Devolvê-las o mínimo necessário para uma vida digna – o direito a ter um CPF, uma certidão de nascimento ou um RG – é auxiliá-las no caminho para um futuro digno, com chance de pleitear um emprego, uma vaga em sala de aula, um atendimento básico em saúde. O resultado disso é um futuro cidadão e uma sociedade mais segura e justa para todas e todos”, afirma o juiz coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), Luís Lanfredi.

“O evento em São Paulo representa uma oportunidade crucial para a mostrarmos os avanços da implementação de um sistema de identificação integrado, com abrangência nacional, que considera e contempla as especificidades de cada unidade da federação. Quando avançamos no cadastro e na regularização de documentos de pessoas privadas de liberdade, damos um passo importante para melhorar a segurança e a justiça no sistema prisional, ajudando a garantir que todos os indivíduos, independentemente de sua situação, tenham seus direitos devidamente respeitados”, afirma o juiz auxiliar da Presidência do CNJ com atuação no DMF João Felipe Menezes Lopes.

Conheça a ação

Instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2019, a Ação Nacional de Identificação Civil e Emissão de Documentos prevê uma rotina permanente de identificação civil para certificar e autenticar dados, atualizando as informações cadastrais que ficarão disponíveis para a emissão e regularização documental das pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.

Implementada em etapas, a partir do que estabelece a Resolução CNJ n. 306/2019 , as atividades da Ação Nacional envolvem várias frentes, desde a distribuição de 5,4 mil kits biométricos para varas que realizam audiências de custódia e unidades de privação de liberdade em regime fechado nas 27 unidades federativas, até a criação do Módulo de Documentação Civil no Sistema Eletrônico de Execução Unificada (SEEU), passando por importantes ciclos de capacitação das equipes e disseminação de boas práticas.

Desde 2020, já são mais de 300 mil documentos emitidos e localizados. Dentre eles, 272.129 certidões de nascimento, 15.965 RGs, 25.155 CPFs e 5.250 títulos de eleitor e 3.285 outros documentos, incluindo Certificados de Reservista e Carteiras de Trabalho.

A iniciativa é parte das ações fomentadas pelo programa Fazendo Justiça, coordenado pelo CNJ em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Ação conta com a cooperação de mais de 150 instituições e tem o importante apoio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

Coleta nas unidades prisionais

Ao todo, 19 estados já iniciaram o processo de identificação civil nas unidades prisionais em ritmo acelerado. Em Santa Catarina, 89% da população foi identificada em apenas 40 dias, resultado de uma força-tarefa dedicada que une Judiciário e Executivo. Na Bahia, 92% da população já está identificada. Outros estados, como Roraima e Tocantins, também demonstraram avanço significativo, com 81% e 75% respectivamente. Já são mais de 150 mil pessoas identificadas e mais de 160 mil novos cadastros, e mais de 330 mil pessoas atendidas.

Porta de entrada

Parte importante do processo, a identificação civil também acontece na porta de entrada, durante as audiências de custódia. “A expectativa é que, no futuro, essa coleta nas unidades prisionais seja apenas residual, uma vez que o processo de identificação já estará consolidado na porta de entrada. Com a certificação dos dados, a identificação civil facilita a emissão de documentos essenciais, como RG e CPF, assegurando que cada pessoa tenha suas informações devidamente regularizadas, caso seja necessário”, explica o coordenador da área de Sistemas e de Identificação do programa Fazendo Justiça, Alexander Cambraia Vaz.

A identificação civil na porta de entrada está em operação em 21 Tribunais de Justiça Estaduais e seis Seções Judiciárias Federais. Mais de 51 mil pessoas já foram atendidas na porta de entrada, com mais demais de 20 mil pessoas identificadas e mais de 26 mil novos cadastros realizados.

Compartilhando boas práticas 

O evento em São Paulo, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, reunirá representantes do Executivo e do Judiciário para compartilhar estratégias bem-sucedidas sobre a adaptação das rotinas de trabalho para implementação de fluxo contínuo de Identificação Civil.

Profissionais da área, gestores públicos e demais interessados poderão acompanhar a transmissão ao vivo pelo canal do Youtube do CNJ, que começará às 14h, e conhecer as experiências que têm ajudado a aprimorar as práticas de identificação civil no país.

Texto: Renata Assumpção
Edição: Nataly Costa
Agência CNJ de Notícias

Fonte Oficial: Portal CNJ

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