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Revista CNJ: impactos do julgamento com perspectiva de gênero são tema de artigo

Uma pesquisa empírica documental, com abordagem qualitativa, foi realizada pela juíza Daniele Mendes de Melo, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), para avaliar o real impacto da aplicação da Resolução CNJ 492/2023, que trata do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero pelos tribunais. A análise foi publicada na edição comemorativa da Revista CNJ sobre os 20 anos de existência do Conselho Nacional de Justiça.  

No artigo “Impacto da Resolução CNJ 492 e desafios da capacitação de gênero em perspectiva interseccional na Região Sudeste”, a magistrada aponta como alguns dos resultados a não repercussão, seja numérica ou qualitativa, nos cursos de formação realizados na região, sendo a ausência de um modelo de gestão orientado o principal obstáculo para a implementação dessa política judiciária. 

A pesquisa foi conduzida junto às Escolas de Magistratura Estaduais da Região Sudeste, com o intuito de identificar os principais desafios enfrentados para a efetiva implementação da norma. 

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Leia a íntegra do artigo 

A Resolução n. 492/2023 permitiu ao CNJ consolidar as diretrizes anteriores determinadas pelo órgão que tratam sobre questão de gênero, entre as quais estão as Recomendações CNJ 82/2020 e 128/2022, que integra a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Também está alinhada a tratados internacionais como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (Cedaw), marco na luta pelos direitos das mulheres e a Convenção de Belém do Pará, ambas exigem capacitação com perspectiva de gênero para operadores do Direito. 

Em outro ponto, a autora aborda a questão do acesso à Justiça, que embora garantido constitucionalmente, é dificultado por barreiras estruturais, institucionais, econômicas e sociais, que afetam desproporcionalmente grupos vulnerabilizados, especialmente as mulheres. Daniele afirma que a estruturação desses processos sociais também se reflete no sistema de Justiça, que inibe a capacidade das mulheres de postular e obter a satisfação da garantia de seus direitos. “Para que essas demandas cheguem ao sistema de Justiça e sejam analisadas de forma não homogênea, a lente interseccional de gênero deve ser inserida nos julgamentos, de forma que o acesso à Justiça possa ser considerado integral”, pontuou. 

Desafios 

De acordo com a pesquisadora, essa norma fixada pelo Conselho teve impacto inicial positivo, ampliando a oferta de cursos e a participação de magistrados. No entanto, ainda é possível verificar baixa adesão proporcional em comparação ao número total de juízes. O grande desafio, segundo a autora, é alcançar magistrados que julgam direta ou transversalmente questões de gênero. Além disso, Daniele ressalta a necessidade de fomentar a internalização da perspectiva interseccional nos julgamentos, com uso efetivo do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero. 

Em suas conclusões, a magistrada apontou os pontos que devem ser superados pelo CNJ em relação à capacitação. “O CNJ tem o desafio de institucionalizar uma política de monitoramento e avaliação, com indicadores que permitam medir o impacto real da capacitação no acesso das mulheres à Justiça”, disse. 

Texto: Ana Moura
Edição: Beatriz Borges
Revisão: Ilana Arrais
Agência CNJ de Notícias

Fonte Oficial: Portal CNJ

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