A passagem da universidade para o exercício prático do Direito é um dos momentos mais desafiadores da trajetória profissional de quem escolhe seguir carreira jurídica. Após anos de imersão teórica, o recém-formado se depara com um mercado competitivo, exigente e marcado por uma rotina que vai muito além da leitura de doutrinas e da elaboração de petições.
Para Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, “a maior dificuldade nessa transição é a quebra de expectativa. Muitos egressos acreditam que o bom desempenho acadêmico, por si só, garantirá sucesso na prática, mas esquecem que o Direito vivido no balcão do fórum é cheio de imprevistos, prazos curtos e exigências que não se aprendem em sala de aula”. Ele ressalta ainda que habilidades como negociação, gestão de clientes e domínio de ferramentas digitais são cada vez mais essenciais.
Entre os principais desafios enfrentados por quem está saindo da faculdade estão a insegurança diante de decisões práticas, a dificuldade em captar e fidelizar clientes (no caso da advocacia privada), a adaptação à linguagem forense e a necessidade de equilibrar o idealismo acadêmico com a realidade processual e institucional do sistema de Justiça.
Uma das soluções mais eficazes para esse período de adaptação é buscar experiências práticas ainda durante a graduação, por meio de estágios em órgãos públicos, escritórios de advocacia ou departamentos jurídicos. Tais vivências permitem ao estudante entender a dinâmica dos tribunais, conhecer o funcionamento dos sistemas processuais eletrônicos e desenvolver uma postura profissional.
Após a formatura, o networking construído ao longo da faculdade e dos estágios pode ser decisivo para conseguir as primeiras oportunidades. Participar de eventos jurídicos, manter contato com professores e colegas e se engajar em associações de classe são estratégias importantes para abrir portas no início da carreira.
Além disso, a atualização contínua é indispensável. Cursos de prática jurídica, mentorias com advogados experientes e até mesmo grupos de estudo voltados para questões práticas ajudam a encurtar o tempo de maturação profissional. O conhecimento técnico deve ser acompanhado por habilidades comportamentais, como oratória, escrita persuasiva e inteligência emocional para lidar com pressões e frustrações típicas da advocacia.
A transição também envolve decisões sobre qual caminho seguir: advocacia privada, concursos públicos, carreira acadêmica, mediação ou assessoria jurídica em empresas. Para isso, o autoconhecimento e a análise sincera das preferências e habilidades pessoais são fundamentais.
Embora desafiadora, a transição da vida acadêmica para a prática jurídica pode ser bem-sucedida quando conduzida com planejamento, humildade para aprender com a experiência e disposição para se reinventar. O Direito fora dos livros exige menos fórmulas prontas e mais sensibilidade, estratégia e responsabilidade social.
