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Como a automação está mudando o trabalho nos tribunais brasileiros

Nos últimos anos, os tribunais brasileiros têm passado por uma transformação silenciosa, mas profunda, impulsionada pela automação de tarefas e pelo uso de tecnologias digitais. O que antes dependia de longos prazos, filas de processos físicos e carimbos em papel, hoje começa a ser substituído por sistemas eletrônicos capazes de agilizar rotinas, reduzir burocracias e ampliar a eficiência no Judiciário.

Um dos marcos dessa mudança foi a adoção do processo judicial eletrônico (PJe), que eliminou a necessidade de tramitação em papel em grande parte das cortes. Além disso, ferramentas de automação passaram a ser incorporadas para auxiliar na triagem de processos, na emissão de despachos automáticos e até na organização de pautas de julgamento. Essas soluções, embora não substituam o trabalho humano, permitem que servidores e magistrados concentrem esforços em análises mais complexas, em vez de gastar tempo com tarefas repetitivas.

A pandemia acelerou ainda mais esse movimento, com a implementação das audiências virtuais e sessões de julgamento por videoconferência. O que parecia inviável tornou-se parte da rotina, reduzindo custos de deslocamento e facilitando o acesso à Justiça, especialmente em regiões distantes dos grandes centros.

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Apesar dos avanços, surgem também desafios. Há receio de que a automação reduza a sensibilidade humana necessária em certos casos, especialmente em decisões que envolvem aspectos sociais delicados. Outro ponto sensível é a inclusão digital: enquanto grandes tribunais já contam com sistemas modernos, em regiões menores a infraestrutura tecnológica ainda é limitada, o que gera desigualdade no acesso aos benefícios da transformação digital.

Para Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, a automação precisa ser vista como ferramenta de apoio, não de substituição: “Os tribunais brasileiros estão avançando, mas é essencial que esse avanço não comprometa o papel humano do juiz. A tecnologia pode acelerar processos e diminuir gargalos, mas a essência da Justiça está na capacidade de interpretar, ponderar e decidir com sensibilidade. Esse é um atributo que nenhuma máquina poderá replicar”.

O cenário mostra que a automação veio para ficar no Judiciário brasileiro, com potencial de tornar a Justiça mais célere e acessível. Mas o equilíbrio entre eficiência tecnológica e preservação da dimensão humana continuará sendo o grande desafio para magistrados, advogados e todos os profissionais que atuam no sistema de justiça.

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