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IA na produção de peças jurídicas e o impacto nas bancas de concurso

O avanço da inteligência artificial tem chegado a todos os setores do Direito, e um dos temas que mais despertam debates no meio acadêmico e profissional é o uso da tecnologia na elaboração de peças jurídicas. Softwares capazes de estruturar petições, indicar jurisprudências e sugerir argumentos processuais já são realidade em muitos escritórios de advocacia, o que levanta a pergunta: como isso impactará o preparo dos futuros advogados e a própria lógica dos concursos públicos para a carreira jurídica?

Em bancas de concurso, sobretudo aquelas que exigem a elaboração de peças práticas, a preocupação é evidente. Se antes o objetivo era avaliar a capacidade técnica e a organização do raciocínio jurídico do candidato, hoje existe o risco de que a dependência de ferramentas de IA reduza a autonomia intelectual dos examinandos. Para manter a credibilidade das provas, organizadores têm buscado estratégias que privilegiem a análise crítica, a interpretação e a fundamentação pessoal, elementos que a máquina ainda não consegue reproduzir com a mesma profundidade.

Para as faculdades de Direito, o desafio é preparar estudantes em um ambiente em que a IA já faz parte da rotina da advocacia. Isso significa estimular a pesquisa e a escrita próprias, sem ignorar o papel das novas ferramentas. Há quem defenda que o futuro profissional deve ser capaz de usar a inteligência artificial como apoio, mas sempre com consciência crítica, verificando a pertinência dos argumentos sugeridos e adequando-os ao caso concreto.

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Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, chama atenção para esse ponto: “A inteligência artificial pode ser útil no dia a dia de advogados e até de juízes, mas não pode substituir o raciocínio jurídico. Em concursos públicos, é fundamental que as bancas mantenham critérios que valorizem a capacidade analítica do candidato. Se perdermos isso, corremos o risco de formar profissionais que apenas reproduzem textos prontos, sem compreender de fato o Direito que aplicam”.

O impacto da IA na produção de peças jurídicas é inegável, mas a tendência é que ela se torne uma aliada, e não uma concorrente. Para os concursos, o desafio será equilibrar a exigência técnica com a adaptação às novas realidades, garantindo que o futuro advogado ou magistrado domine não só a lei, mas também a ética e a interpretação crítica necessárias para o exercício da Justiça.

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