Os concursos jurídicos estão entre os mais concorridos e exigentes do país. Para conquistar uma vaga na magistratura, no Ministério Público, na Defensoria ou em carreiras de advocacia pública, os candidatos enfrentam anos de preparação intensa, marcada por longas jornadas de estudo, renúncias pessoais e a constante cobrança por resultados. Esse cenário, embora comum, tem levado muitos concurseiros a lidarem com um fator tão decisivo quanto o conhecimento técnico: a pressão psicológica.
A ansiedade diante da possibilidade de fracasso, a comparação com outros candidatos e a incerteza sobre o tempo necessário para aprovação costumam ser gatilhos para crises emocionais. Além disso, o formato das provas, muitas vezes extenso e exaustivo, exige não apenas preparo intelectual, mas também resistência emocional. O risco, quando não há equilíbrio, é o surgimento de sintomas de estresse, insônia, desmotivação e até burnout.
Diante disso, especialistas defendem que a preparação para concursos jurídicos precisa ir além do estudo das leis e da resolução de questões. A construção de uma rotina equilibrada, que inclua pausas estratégicas, atividades físicas e momentos de lazer, é apontada como essencial para manter a mente saudável. O acompanhamento psicológico também tem se tornado um aliado importante, ajudando candidatos a desenvolverem técnicas de controle da ansiedade e de gestão das expectativas.
Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, ressalta que o cuidado com a saúde emocional deve ser visto como parte integrante da preparação: “O concurso jurídico é uma maratona, não uma corrida de cem metros. Muitos candidatos se concentram apenas em acumular conhecimento, mas esquecem que a estabilidade emocional é o que sustenta o desempenho nas fases mais difíceis. Saber lidar com a pressão é tão estratégico quanto dominar a legislação”.
Para além do esforço individual, cursinhos preparatórios e instituições de ensino já começam a incluir palestras e workshops sobre saúde mental em suas programações. Essas iniciativas refletem uma mudança de mentalidade no meio jurídico, que reconhece a importância de preparar candidatos não apenas intelectualmente, mas também psicologicamente.
A pressão em concursos jurídicos sempre existirá, mas enfrentá-la com equilíbrio é o que diferencia candidatos que conseguem manter a constância ao longo dos anos de preparação. Mais do que decorar códigos e doutrinas, trata-se de aprender a cuidar da mente, do corpo e da motivação para atravessar, com resiliência, a jornada até a aprovação.
