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Barroso fala a jovens de Cuiabá sobre integridade, democracia e otimismo com o país

“Há 50 anos, eu estava exatamente onde vocês estão: em uma escola pública, tentando adivinhar o que a vida me reservaria. Não é preciso ter medo do futuro; asseguro que o melhor ainda está por vir.” Com essas palavras, diante de um auditório lotado de estudantes, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, inaugurou na manhã desta segunda-feira (18/8) o projeto Diálogos com as Juventudes, que busca aproximar o Judiciário das jovens e dos jovens brasileiros.

O evento aconteceu na Escola Estadual Liceu Cuiabano Maria de Arruda Müller, em Cuiabá (MT), em parceria com a Associação Mato-Grossense de Magistrados (Amam) e apoio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O governador do estado, Mauro Mendes, também compareceu à cerimônia.

A abertura contou com a execução do Hino Nacional pela fanfarra da escola e, em seguida, uma apresentação de siriri, dança típica da região Centro-Oeste. “É uma escola que reverbera a cultura cuiabana. Foi a primeira escola pública do estado, criada em 1879 e tombada como patrimônio cultural em 1984. Ao longo dos anos, vem formando artistas, políticos e outras personalidades que integram a nossa ‘cuiabania’”, destacou o diretor da instituição, Lucas Vaz.

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Reflexões

Responsável pela aula inaugural do projeto, Barroso foi recebido com entusiasmo pelos mais de 400 estudantes do ensino médio. Ele dividiu sua fala em três momentos: relembrou sua juventude e as escolhas de carreira; aconselhou os jovens e as jovens em suas decisões de vida; e refletiu sobre o Brasil. “Tenho muito prazer e alegria em estar aqui e poder compartilhar ideias e reflexões sobre a vida em geral”, afirmou.

O ministro recordou sua trajetória escolar, iniciada em Vassouras (RJ) até a chegada à capital do estado, onde se graduou em Direito após também cursar alguns semestres do curso de Economia. Quando jovem, conciliou os estudos com esportes e aulas de música. “O segredo do sucesso está no treinamento e na preparação. Dom e vocação ajudam, mas só somos bons naquilo que treinamos para fazer”, disse Barroso, ao ressaltar que a vida é feita de conquistas e frustrações: “Embora a gente possa sonhar alto, não conseguiremos realizar todos os sonhos.”

Barroso também enfatizou a importância de orientar a vida por valores: “A vida boa exige integridade, com duas regras muito simples: no espaço privado, não passar os outros para trás; no espaço público, não desviar recursos. Pode parecer simples, mas é uma grande revolução brasileira que ainda não se completou. Precisamos de novas gerações que ajudem o país a lidar com a integridade.”

Democracia e desafios

Falando sobre o momento presente, o ministro destacou a importância de preservar a democracia, “que envolve o direito de as pessoas participarem em igualdade de condições, com liberdade de expressão, de ir e vir, de se reunir”. Para Barroso, a convivência democrática exige saber lidar com opiniões divergentes: “Ninguém tem o monopólio da verdade, da virtude ou do amor ao Brasil.”

O presidente do CNJ também alertou para os desafios da revolução tecnológica, em especial a inteligência artificial generativa, e da crise climática. “Antes, falávamos em justiça geracional, pensando nos impactos da destruição ambiental para o futuro. Agora não: eventos extremos como as enchentes no Rio Grande do Sul ou a seca no Pantanal e no Amazonas mostram que o impacto é presente e muito grave. Precisamos ter consciência ambiental”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o ministro ressaltou seu otimismo com o país, lembrando as grandes mudanças ocorridas desde 1808, quando a Coroa Portuguesa chegou ao Rio de Janeiro: “Naquela época, a maioria da população era analfabeta, um terço era escravizada, e o país não tinha fábricas, estradas nem moedas suficientes. Não havia um projeto de país, mesmo reconhecendo a imensa resistência de indígenas e pessoas escravizadas no período. Em pouco mais de 200 anos, o Brasil se tornou uma das dez maiores economias e a quarta maior democracia do mundo. Mesmo quando o quadro parece difícil, olhando em perspectiva temos uma história de sucesso,” finalizou.

Diálogos com as Juventudes

Idealizado por Barroso e executado pelo programa Justiça Plural, uma iniciativa de cooperação internacional entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Diálogos com as Juventudes busca engajar estudantes do ensino médio de escolas públicas em discussões sobre direitos humanos, acesso à justiça, arte, cultura, tecnologia, violência doméstica e racismo estrutural.

Além do Liceu Cuiabano, outras nove escolas públicas, em todas as regiões do Brasil, deverão receber oficinas conduzidas por magistradas e magistrados. O projeto conta com parceria técnica da ONG Viração, com mais de 20 anos de experiência em educomunicação voltada ao público jovem.

Justiça Plural

O programa Justiça Plural, do CNJ em parceria com o Pnud, tem como objetivo fortalecer as capacidades do Poder Judiciário na promoção dos direitos humanos e socioambientais e ampliar o acesso à Justiça por populações historicamente vulnerabilizadas. Acesse o site para saber mais.

Texto: Sâmia Bechelane
Edição: Thaís Cieglinski
Agência CNJ de Notícias

Fonte Oficial: Portal CNJ

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