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Provas digitais em julgamentos criminais e cíveis

A transformação tecnológica também alcançou a forma como as provas são apresentadas e analisadas nos tribunais brasileiros. Cada vez mais, registros eletrônicos, mensagens de aplicativos, e-mails, geolocalização de celulares, imagens de câmeras de segurança e até dados de redes sociais passam a ocupar papel central em processos criminais e cíveis. Essa realidade traz ganhos de agilidade e novas possibilidades de investigação, mas também abre uma série de questionamentos jurídicos e éticos.

No campo criminal, provas digitais já se tornaram decisivas em investigações de crimes como estelionato eletrônico, tráfico de drogas monitorado por aplicativos e até homicídios em que a geolocalização do acusado foi elemento fundamental. Contudo, a cadeia de custódia dessas informações é um dos maiores pontos de atenção. Se não houver cuidado no armazenamento e na autenticação dos arquivos, há risco de adulteração ou de nulidade da prova, o que pode comprometer todo o julgamento.

No âmbito cível, a discussão é igualmente relevante. Processos que envolvem contratos firmados por meio eletrônico, disputas em redes sociais ou mesmo conflitos familiares em que conversas digitais servem como evidência tornam a análise do magistrado ainda mais desafiadora. A verificação da integridade dos dados, a proteção da privacidade e o respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são aspectos que exigem atenção redobrada.

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Outro desafio é a formação dos profissionais. Juízes, advogados e promotores precisam se atualizar constantemente para compreender tanto os aspectos técnicos quanto jurídicos das provas digitais. Não basta apenas conhecer a lei: é necessário entender como funcionam as tecnologias, quais são os limites de sua confiabilidade e de que forma podem ser contestadas em juízo.

Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, avalia que o Judiciário caminha em terreno novo e sensível: “As provas digitais ampliaram o alcance da investigação e trouxeram mais rapidez aos julgamentos. Mas o risco é tratá-las com a mesma naturalidade que uma prova física, sem observar os cuidados específicos que elas exigem. Se a Justiça não conseguir equilibrar segurança técnica com garantias processuais, o uso dessas evidências pode se transformar em fonte de nulidades e injustiças”.

O cenário atual demonstra que as provas digitais vieram para ficar, mas sua consolidação depende de regulamentações claras, da capacitação dos operadores do Direito e da constante atualização tecnológica dos tribunais. Entre avanços e desafios, o tema seguirá sendo um dos mais discutidos no universo jurídico nos próximos anos.

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