O mundo jurídico é marcado por prazos curtos, responsabilidades elevadas e decisões que podem mudar o rumo da vida de pessoas e empresas. Nesse cenário, não é raro que advogados, juízes, promotores e demais profissionais da área desenvolvam sinais de esgotamento físico e emocional, conhecido como burnout. Reconhecido como síndrome pela Organização Mundial da Saúde, o problema vem crescendo de forma preocupante entre carreiras jurídicas de alta pressão.
As causas estão ligadas a uma combinação de fatores: excesso de trabalho, competitividade, cobrança por resultados, jornadas longas e, muitas vezes, a dificuldade em conciliar vida pessoal e profissional. Em escritórios de advocacia, por exemplo, é comum que jovens advogados ultrapassem facilmente a carga horária prevista em lei, em busca de ascensão na carreira. No Judiciário, a pressão por produtividade também é constante, com metas cada vez mais rigorosas estabelecidas por órgãos de controle.
O impacto do burnout vai além da saúde individual. Ele compromete a qualidade do trabalho, aumenta o risco de erros e prejudica a tomada de decisões. Em casos graves, pode levar ao afastamento temporário ou até definitivo da profissão. Diante disso, escritórios, tribunais e órgãos do sistema de Justiça começam a discutir políticas internas de prevenção, como programas de apoio psicológico, flexibilização de horários e incentivo a práticas de autocuidado.
Para Marcos Soares, jornalista do Portal do Magistrado, o tema exige uma mudança cultural dentro da própria área jurídica: “O burnout não é apenas um problema individual, mas também institucional. Enquanto a lógica da produtividade a qualquer custo prevalecer, veremos profissionais cada vez mais adoecidos. É preciso que tribunais, escritórios e faculdades de Direito assumam a responsabilidade de criar ambientes mais saudáveis, em que o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho seja respeitado”.
Entre as estratégias de enfrentamento, especialistas recomendam a adoção de práticas de saúde mental, como psicoterapia, atividades físicas regulares e pausas estratégicas durante a jornada. Além disso, a construção de redes de apoio e o diálogo aberto dentro das instituições podem ajudar a reduzir o estigma em torno do tema, permitindo que profissionais busquem ajuda sem receio de prejuízos na carreira.
O enfrentamento do burnout em carreiras jurídicas passa, portanto, por uma combinação de ações individuais e institucionais. O desafio é grande, mas essencial: preservar não apenas a saúde dos profissionais, mas também a qualidade da Justiça que chega à sociedade.
