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Núcleos da Defensoria Pública de SP acompanham caso de violência institucional em escola da Zona Oeste

NUPIR e NEIJ atuam desde novembro de 2025 no caso da diretora afastada por trauma psicológico após entrada de policiais armados em escola infantil da Zona Oeste

Publicado em 25 de junho de 2026 às 18:45 | Atualizado em 25 de junho às 19:08

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O Núcleo Especializado de Promoção da Igualdade Racial e de Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais (NUPIR) e do Núcleo Especializado de Infância e Juventude (NEIJ) da Defensoria Pública do Estado de São Paulo acompanham o caso da diretora da EMEI Antônio Bento, alvo de aparente violência institucional por parte de policiais militares após manter atividade pedagógica sobre cultura afro-brasileira na unidade, na Zona Oeste da capital. 

Em novembro de 2025, os dois núcleos realizaram reuniões presenciais e online com a direção, professores e servidores da escola para escuta qualificada, acolhimento e levantamento das demandas jurídicas e psicossociais. Nesse mesmo período, solicitaram cópias dos registros do caso, imagens das câmeras corporais dos policiais e informações sobre os procedimentos administrativos instaurados, além de esclarecimentos sobre a conduta dos agentes e as medidas de responsabilização cabíveis. 

Em março de 2026, o NUPIR enviou ofícios à Secretaria Municipal de Educação (SME), à Diretoria Regional de Ensino Butantã (DRE-Butantã), à Secretaria Municipal de Gestão (SEGES), à Coordenadoria de Gestão de Saúde do Servidor (COGESS), à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e ao Ministério Público. As requisições incluíram informações sobre protocolos de assistência jurídica e psicossocial à comunidade escolar e a garantia de continuidade da implementação da Lei 10.639/2003 na escola, com a manutenção do livro “Ciranda de Aruanda” como um dos materiais didáticos possíveis de ser utilizado. No mesmo mês, o NUPIR se reuniu com a escola e com a DRE para oferecer formação sobre violência policial e medidas de reparação disponíveis às vítimas. 

Em abril de 2026, o núcleo realizou atendimento individualizado à então diretora da instituição, com orientação jurídica e psicossocial e acompanhamento das consequências do afastamento funcional. O objetivo desse atendimento é readequar administrativamente as ausências no período do episódio a fim de evitar perdas de direitos decorrentes do Estatuto dos Servidores Públicos Municipais. 

Em maio de 2026, o NUPIR se reuniu com a SME para pleitear a implementação do protocolo municipal de prevenção e enfrentamento ao racismo no ambiente escolar, bem como a garantia de assistência jurídica às escolas em casos de violência. A Secretaria reafirmou a indicação do “Ciranda de Aruanda” como material didático e não recuou quanto ao conteúdo pedagógico. 

“Este caso extrapola todos os limites do razoável, uma vez que não cabia aos policiais militares adentrarem a escola, sem nenhuma fundada suspeita de crime, para questionar o material didático e a liberdade de ensino do conteúdo da Lei 10639/2003. Além disso, o uso de fuzis em ambiente com crianças se revelou extremamente nocivo à dinâmica escolar que foi profundamente afetada. Assim, é preciso acompanhar os desdobramentos da apuração da responsabilidade funcional dos agentes envolvidos e por outro lado avançar em protocolos de operações policiais nas escolas para evitar a repetição dessas condutas”, afirma o defensor público Vinicius Conceição Silva, coordenador do NUPIR. 

O caso 

Em 11 de novembro de 2025, um pai, policial militar, foi buscar a filha de 4 anos na EMEI Antônio Bento, no Caxingui, Zona Oeste de São Paulo, e se deparou com um desenho de Iansã que a criança havia feito em atividade pedagógica baseada no livro infantil “Ciranda de Aruanda”. De acordo com a diretora, o homem voltou à escola, abordou a professora de forma agressiva e arrancou o desenho do mural. 

No dia seguinte, acionou a Polícia Militar alegando que a escola estaria impondo “aulas de religião africana” à filha. Doze policiais militares, um deles armado com metralhadora, ingressaram na unidade durante o horário letivo. Imagens das câmeras corporais dos agentes, divulgadas pela imprensa, mostram um tenente acusando a diretora de querer “impor e ditar as suas regras, ditar o seu pensamento, ditar a sua ideologia”.  

As abordagens geraram medo em crianças e servidores. A diretora precisou se afastar do trabalho por trauma psicológico. O pai da aluna foi indiciado pela Polícia Civil por intolerância religiosa. A conduta dos policiais é investigada por Inquérito Policial Militar.

Fonte Oficial: https://www.defensoria.sp.def.br/web/guest/w/nucleos-da-defensoria-publica-de-sp-acompanham-caso-de-violencia-institucional-em-escola-da-zona-oeste

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